Projetos socioambientais discutem futuro das florestas

12
nov

Projetos socioambientais discutem futuro das florestas

Os projetos socioambientais patrocinados pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental e Governo Federal, Opará: águas do rio São Francisco, No Clima da Caatinga e Semeando Água debateram o futuro das florestas, tema da mesa redonda realizada no dia 12 de novembro.

A atividade integrou a programação especial de encerramento dos dois anos do Projeto Opará: águas do rio São Francisco durante o IV Seminário de Recuperação Hidroambiental, realizado nos dias 11, 12 e 13 de novembro na Universidade Federal de Sergipe.

Os palestrantes apresentaram as ações socioambientais que estão sendo realizadas por cada projeto nos estados de Sergipe, Ceará e São Paulo para a conservação e preservação da Caatinga e Mata Atlântica.

O biólogo Alexandre Uezu, coordenador do Projeto Semeando Água, iniciou a mesa redonda lembrando o papel do desenvolvimento sustentável para  a preservação das florestas. “A sustentabilidade funciona em um tripé no qual o meio ambiente, a economia e a sociedade fazem parte de um compromisso coletivo de conservação e proteção dos recursos naturais”, destacou.

Alexandre Uezu falou sobre as atividades desenvolvidas pelo Projeto Semeando Água em oito municípios que abrangem o Sistema Cantareira de abastecimento, em São Paulo. Após fazer uma análise da situação em que se encontra a Mata Atlântica, ele destacou a experiência do projeto “Semeando Água”, que atua influenciando produtores rurais a adotarem práticas sustentáveis de uso do solo e recompor a floresta que foi suprimida e envolver a comunidade, por meio da educação ambiental. “Nossa ideia é criar um ciclo virtuoso para a região. A ideia é que as pessoas que vivem na região da Cantareira passem a produzir de forma agroecológica, ou seja, unindo o cuidado com os recursos hídricos e a geração de renda para as comunidades”, explicou.

Ele enfatizou ainda a importância de participar do seminário. “Apesar da caatinga e a Mata Atlântica serem biomas diferentes, as experiências de conservação aplicadas pelos projetos são semelhantes. Isto torna a troca de conhecimento rica e produtiva dentro do trabalho em rede”, disse.

Daniel Fernandes, coordenador geral da Associação Caatinga, no Ceará, falou da alegria e satisfação de ter participado pela segunda vez do seminário. “Momentos como estes de integração de projetos e compartilhamento de saberes são fundamentais para a gente partilhar soluções para desafios diários que enfrentamos na execução das nossas atividades”, observou.

Na sua fala, Daniel lembrou ainda o grande processo de degradação e desertificação da caatinga, com perda vegetal de 45% e explicou como a ausência de uma proteção legal do bioma torna a caatinga esquecida e vulnerável no cenário de ausência de legislação e de políticas púbicas que garantam a sua conservação. “Se a gente quer pensar no futuro das florestas para uma caatinga mais sustentável temos que pensar nestas questões desde já assegurando essa conservação também na forma da lei”, alertou.

“Caatinga é uma expressão tupi-guarani que significa mata branca. Mas nas primeiras chuvas a gente já vê a capacidade de resiliência do nosso bioma, que floresce mostrando sua rica biodiversidade. Ao contrário do que é reportado pela grande mídia, das regiões semiáridas a caatinga é a mais bem diversa”. destacou.

Após desmistificar uma concepção estereotipada da caatinga enquanto um bioma pobre e sem riqueza biológica, Daniel apresentou algumas ações e estratégias de desenvolvimento adotadas pelo Projeto No Clima da Caatinga, realizado nos municípios de Crateús\CE e Buriti dos Montes\PI, em áreas do entorno da Reserva Natural Serra das Almas e na cidade de Fortaleza,   que realiza experiências socioambientais de conservação da biodiversidade e promoção de desenvolvimento sustentável na caatinga cearense. “Promovemos a conservação das terras, florestas e águas da caatinga para garantir a permanência de todas as suas formas de vida”, ressaltou.

O engenheiro florestal do Opará: águas do rio São Francisco, Thadeu Ismerim, apresentou um breve diagnóstico da situação da caatinga em Sergipe e das ações de proteção natural para a recuperação de áreas degradadas com ênfase em restauração ecológica de mata ciliar e nascentes; inventário florestal e estudos de vegetação, atividades que o projeto realiza ao longo de quase dois anos no Assentamento Jacaré-Curituba, em Sergipe e Reserva Mato da Onça, em Alagoas, ambos localizados no Bioma Caatinga.

 “Sergipe, segundo o Inventário Florestal Nacional, tem hoje apenas 13% de sua cobertura original. Na região em que o projeto Opara é desenvolvido, no Alto Sertão, temos uma situação: 18%. Esta é uma situação crítica!”, lamentou ao lembrar da importância do projeto para a promoção de ações de sustentabilidade com plantio e técnicas que garantam a proteção do ecossistema e biodiversidade do rio São Francisco a partir da recuperação de áreas degradadas na região e reflorestamento da caatinga.

Thadeu Ismerim também apresentou as ações e técnicas utilizadas no processo de reflorestamento realizado pelo Projeto Opará: águas do rio São Francisco nas áreas de preservação permanente e de reserva legal na região. Ele destacou a atuação do projeto,  iniciada ainda na primeira fase, durante a execução do Águas do São Francisco no período de 2013 a 2016, com a regeneração natural da área de nascentes e cursos d´água através do reflorestamento a partir do plantio de 80 mil mudas nativas nos perímetros irrigados do Betume e Jacaré-Cutibuba, em uma área de 50 hectares.

“Nesta segunda fase plantamos 48 mil mudas de espécies nativas da caatinga, mas sabemos que a situação de degradação é crítica, um problema que se agrava pela falta de políticas públicas de preservação do ecossistema natural da caatinga, bioma exclusivamente brasileiro. É preciso buscar soluções como a expansão de redes de proteção como as unidades de conservação. Não basta somente reflorestar. Também é necessário fazer o uso correto das áreas”,  ressaltou.

Os debates foram mediados pelo professor da Universidade Federal de Sergipe, Ariovaldo Antonio Tadeu Lucas.

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