Experimento testa recuperação de solo no sertão sergipano

30
jul

Experimento testa recuperação de solo no sertão sergipano

 


A salinização é um dos grandes problemas socioambientais enfrentados pelos perímetros irrigados da região semiárida.  A alta concentração de sais solúveis com impactos químicos e físicos no solo gerada pelo uso excessivo de água de irrigação e drenagem deficiente torna muitos lotes improdutivos sem germinação de sementes e em alguns casos com a morte generalizada das plantas, inviabilizando a produção. A situação afeta a produção agrícola, o rendimento de várias famílias e o consequente abandono da terra, e por fim erosão do solo.

Iniciado em março deste ano, um experimento inédito de recuperação de solo salino no sertão de Sergipe entra agora em sua segunda etapa, quando estão sendo plantados milho e feijão. A proposta é encontrar uma solução científica tornando as terras atingidas pela salinização novamente produtivas. A área escolhida pelo estudo tem 1200 metros quadrados e fica no Assentamento Jacaré-Curituba, no município de Poço Redondo, no sertão sergipano.

A iniciativa é realizada por professores e alunos da Universidade Federal de Sergipe que vêm desenvolvendo o experimento em parceria com o Projeto Opará: água do São Francisco, patrocinado pela Petrobrás Por meio do Programa Petrobrás Socioambiental e Governo Federal.

A primeira etapa foi a instalação do sistema de drenagem e a aplicação dos tratamentos (gesso agrícola e esterco bovino), e a lavagem dos sais do solo (lixiviação dos sais do solo), visando a retirada os sais.

“Nesta segunda etapa, é feito o cultivo de milho e feijão caupi, duas espécies bastante cultivadas pelos agricultores do perímetro irrigado Jacaré-Curituba. A ideia é avaliar o desenvolvimento destas duas culturas depois da retirada dos sais do solo e analisar os seis tratamentos adotados na recuperação do solo. A verificação do desenvolvimento das plantas é a etapa final, com a confirmação da eficiência dos tratamentos adotados, podendo a partir destes resultados serem feitas recomendação de recuperação do solo para os agricultores por meio de capacitações e dia de campo”, destaca o professor da UFS e coordenador da pesquisa, Airon José da Silva.

Na etapa atual, estão sendo experimentadas diversas técnicas de recuperação em condições de campo, o que torna o estudo inovador com a participação prática e teórica que alia o conhecimento acadêmico à demanda da comunidade local, possibilitando que as experiências empregadas no processo de recuperação do solo tenham continuidade dentro e fora da universidade.

São aplicadas três soluções possíveis em associação: água, gesso e esterco. Ao centro de cada parcela foi instalado um dreno artificial a cada 10 metros de distância e a uma profundidade de 0,4m.

O estudante do Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos na Universidade Federal de Sergipe, Samuel Barreto, participa da pesquisa através da dissertação de mestrado “Cultivo de milho e feijão caupi em solo tratado com gesso e matéria orgânica após lixiviação”, que irá avaliar a percentagem de germinação de sementes, parâmetros de desenvolvimento das plantas (altura, números de folhas, diâmetro de colmo e caule, parâmetros nutricionais (N, P, K) e produção. Os dados das culturas serão correlacionados com os parâmetros químicos, físicos e de salinidade do solo.

“Após a lixiviação dos sais do solo salino-sódico o cultivo de culturas agrícolas se faz necessário para que possamos comprovar a eficiência do método de dessalinização, para isto utilizaremos as culturas de milho e feijão nas parcelas que receberam os diferentes tratamentos neste experimento”, explica o estudante Samuel Barreto.

A partir do experimento, serão apresentados os custos de recuperação dos solos salinizados e o melhor tratamento a ser adotado.

Através deste estudo, o Projeto Opará: águas do rio São Francisco estimula ações socioambientais coletivas com envolvimento das práticas científicas e resultados concretos de fortalecimento das comunidades rurais no perímetro irrigado Jacaré-Curituba, que abriga cerca de 700 famílias em assentamento com grande importância social.

O projeto é executado pela Sociedade Socioambiental do Baixo São Francisco Canoa de Tolda em parceria com a UFS.

 

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