Projeto discute eficiência de uso da água na irrigação agrícola

15
mar

Projeto discute eficiência de uso da água na irrigação agrícola

 

 

 

A crise hídrica que se instalou no sertão sergipano com baixo índice de reservatórios na região reascende a discussão sobre a importância de preservação deste recurso natural pelos sistemas e manejo da irrigação agrícola.

De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), este tipo de técnica agrícola responde pelo maior uso da água no Brasil, responsável por 46% das retiradas nos corpos hídricos e por 67% do consumo. A agricultura irrigada necessita de água em quantidade e boa qualidade.

O uso racional na água na irrigação é um tema importante diante da força produtiva desta técnica agrícola para a produção de alimentos e dos impactos socioeconômicos gerados por esta atividade. O Estado de Sergipe é o menor em área territorial no Brasil, contudo 6% do Produto Interno Bruto (PIB) Estadual é proveniente da agricultura, onde os setores sucro-alcooleiro e milho são a principais atividades. Dados da ANA de 2017 apontam que Sergipe apresenta uma área irrigada igual 29.845 hectares para práticas agrícolas como rizicultura, fruticultura tropical, hortícolas e plantio de espécies de raízes profundas.

O tema sobre o uso da água na irrigação agrícola é um dos debates que integram a programação alusiva ao Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, realizada pelo Projeto Opará: águas do rio São Francisco, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental e Governo Federal.

O assunto foi discutido pelo projeto Opará em parceria com o Centro Acadêmico de Agronomia da Universidade Federal de Sergipe (UFS) na última quarta-feira, 13, através da palestra Eficiência do Uso da Água.

 A palestra reuniu estudantes dos cursos de agronomia e zootecnia da UFS no Campus de São Cristóvão. Durante o evento, foram discutidas e apresentadas técnicas que contribuam para práticas agrícolas mais eficientes para o cultivo irrogado, manejo do solo e água que garantam sistemas adequados de irrigação que evitem desperdício hídrico como vazamentos nas tubulações.

A pesquisadora Thais Nascimento Meneses, que integra a equipe de educação ambiental do Projeto Opará: águas do rio São Francisco, foi uma das palestrantes. “A agricultura irrigada representa em âmbito mundial, cerca de 70% de toda água doce consumida. Tal fato, acirra as disputas em relação aos demais setores usuários, sendo cada vez mais valorizado e cobrado o uso eficiente da água nos diversos sistemas de irrigação.  A eficiência do uso da água é um tema amplo e relevante, na agricultura irrigada, diz respeito às características operacionais do sistema e seu manejo, visando a maximização da produtividade agrícola com o mínimo de água possível. Muitas vezes, o agricultor acha que adquirir um sistema de irrigação visando obter ganhos de produtividade é suficiente, esquecendo do meio ambiente e também de que é preciso adotar técnicas que possibilitem aplicar a água no momento certo e na quantidade adequada, para suprir a necessidade da planta”, destaca.

Thais Nascimento alerta os impactos ambientais de práticas irrigáveis que são adotadas de forma inadequada. “O desperdício causado pela aplicação de água em excesso e/ou perdas por vazamentos promove a erosão hídrica, pode afetar a qualidade da água pela lixiviação de fertilizantes, além de aumentar os custos de produção. A produtividade, rentabilidade e sustentabilidade da agricultura irrigada, estão atreladas as medidas de eficiência do uso da água e uniformidade de distribuição, devendo ser consideradas na avaliação da qualidade dos sistemas irrigados. Portanto, ações que despertem no público um senso crítico e apresente alternativas mais sustentáveis, são necessárias e urgente na promoção do uso racional da água’, enfatiza.

O debate sobre a agricultura irrigada integra uma preocupação mundial sobre o consumo das águas derivadas dos recursos hídricos brasileiros. Até 2030, o Brasil deve empenhar esforços para cumprir a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de aumentar a eficiência do uso da água em todos os setores.

As alternativas sugeridas pelas ODS incluem retiradas sustentáveis para garantir o abastecimento de água doce para minimizar os efeitos socioambientais da escassez hídrica e reduzir substancialmente o número de pessoas que sofrem com o problema.

Na avaliação do coordenador do Projeto Opará: águas do rio São Francisco, Antenor Aguiar, também palestrante do evento, o uso da água na agricultura irrigada é apenas uma das situações que devem integrar os debates das pautas da sustentabilidade hídrica.  Ele destaca que é necessário trabalhar a capacidade hídrica na irrigação a partir do manejo sustentável da gestão integrada dos recursos hídricos visando à proteção e restauração de ecossistemas relacionados com à água, incluindo florestas, zonas úmidas, rios, aquíferos e lagos.

No caso de Sergipe, Antenor Aguiar ressaltou que uma das preocupações é a preservação do rio São Francisco, responsável por grande parte da oferta hídrica no estado que tem impactos socioambientais na produção de alimentos, consumo doméstico, geração energética e segurança alimentar.

“Temos atravessado secas sucessivas desde 2010 sem planejamentos de reservatórios Nossa sociedade consome cada vez mais água. Por outro lado, a gente não se educou para preservar este recurso de forma apropriada. Outro aspecto é o forte desmatamento acelerado que afeta profundamente os recursos hídricos e as matas que servem de tampão para os rios, mares, lagos e lagoas no sentido de preservar estas águas no local. Também precisamos aumentar as fiscalizações contra as captações ilegais. É uma prática extremamente comprometedora que ocorre não somente na agricultura, mas em vários setores da sociedade como indústrias, consumo doméstico. Hoje estamos chegando a 7 milhões de habitantes do planeta terra e precisamos de muitas técnicas agrícolas para produção de alimentos. A agricultura é uma área que precisa economizar bastante o uso da água. A falta de saneamento adequado também compromete muito os nossos recursos naturais e gera risco hídrico’, enfatiza.

Entre as alternativas, Antenor Aguiar aponta que a curto prazo é preciso aumentar a massificação de técnicas que evitem desperdício, armazenamento de água e reuso de água para quintais produzidos na zona rural. A médio prazo, investir na previsão de secas, “Temos uma ideia de que elas ocorrem em um determinado ciclo e é necessário investir em conhecimento meteorológico, assim como o sistema de gestão de recursos hídricos. A longo prazo uma opção de preservação ambiental é a implantação de parques ambientais na região do semiárido, com reserva hídrica”, aponta.

Antenor Aguiar também destaca que parte das mudanças socioambientais estão em andamento com a execução do Projeto Opará, que realiza pesquisas hídricas no semiárido desde 2012 com a preservação da caatinga, ações de reflorestamento, educação ambiental com comunidades e monitoramento hídrico da região. Na área de educação ambiental, o projeto já mobiliza agricultores e estudantes do ensino médio e universidade, atingindo mais de 2 mil participantes com atividades no Assentamento Jacaré-Curituba, em Poço Redondo, e Reserva Mao da Onça, em Alagoas.

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