Estudo revela perfil socioeconômico de assentadas

15
mar

Estudo revela perfil socioeconômico de assentadas

Apresentar um perfil socioeconômico das trabalhadoras rurais que vivem e sobrevivem através da agricultura de sequeiro é objetivo da pesquisa intitulada Da Roça para a Luta de Classes: Mulheres na Produção no Assentamento Jacaré-Curituba.

O estudo é realizado pelo Campus do Sertão da Universidade Federal de Sergipe no assentamento Jacaré-Curituba, localizado no noroeste do estado de Sergipe, próximo à Usina Hidroelétrica de Xingó, ocupando parcialmente os municípios de Canindé de São Francisco e Poço Redondo.

Através de entrevistas, questionários e observações diretas, a pesquisa interdisciplinar teve como propósito dialogar com áreas de conhecimento como a Antropologia e Sociologia. O perfil das mulheres entrevistadas tem como faixa etária, 43% entre 40 a 49 anos, 28% de 50 a 59 anos e 29% entre 60 à 69 anos.

Entre os resultados apresentados pela pesquisa, foi constatado o baixo nível educacional das mulheres assentadas, dentre as entrevistadas 57% sabem apenas assinar seu próprio nome (alfabetização) e 43% das mulheres dispõe apenas do Ensino Fundamental incompleto (1ª a 4ª série). “Os dados revelam que a realidade do pouco acesso à educação está relacionada à história de vida das mulheres. Muitas começaram a trabalhar na infância (entre 5 a 12 anos), ajudando o pai na agricultura e a mãe nos afazeres domésticos”, observa a coordenadora da pesquisa, Dra. Patrícia Rosalba, professora do Núcleo de Educação em Ciências Agrárias e da Terra da Universidade Federal de Sergipe/Campus do Sertão e coordenadora do Grupo de pesquisa XiqueXique/UFS/CNPq.

Outra conclusão da pesquisa é a presença feminina em tarefas domésticas. De acordo com o estudo, 72% das mulheres entrevistadas são responsáveis pelo trabalho doméstico, seguido da filha (14%) e netos (14%). 71% das entrevistas também trabalham na roça. Conforme o estudo, a falta de políticas públicas possui impacto direto nas relações produtivas que envolvem o trabalho feminino no assentamento

Uma das constatações teve como destaque os cultivos nos lotes de sequeiro na produção de milho e mandioca. A pesquisa revelou ainda os impactos socioambientais no processo produtivo, concluindo  que as maiores dificuldades encontradas pelas camponesas estão relacionadas ao clima com secas prolongadas, o acesso à água, mesmo sendo encontrados lotes totalmente irrigados dentro do assentamento, e os custos de comercialização que não diferem muito do rendimento, pois como há a necessidade dos atravessadores para escoarem seus produtos, eles ficam com boa parte do lucro.

“As mulheres que vivem e sobrevivem na parte sequeira do assentamento Jacaré Curituba enfrentam cotidianamente dificuldades no acesso às políticas públicas, muitas vezes, por falta de informações e conhecimento, como, por exemplo, o PRONAF Mulher, que se caracteriza por ser um crédito específico de investimento para as mulheres produtoras rurais. As entrevistadas relataram dificuldades em terem acesso aos meios de comercialização dos produtos que produzem, geralmente, porque essa atividade está culturalmente destinada aos maridos e companheiros”, Destaca Patricia Rosalba.

Ainda em relação as políticas públicas, o estudo também mostrou oacesso feminino ao Bolsa Família. De acordo com dados apresentados pelo estudo, o programa aparece como uma das ações mais importantes para a autonomia e empoderamento feminino entre as assentadas. Segundo o levantamento, 57% das trabalhadoras rurais entrevistadas têm acesso ao programa e 43% à aposentadoria, situações que conferem especialmente às mulheres assentadas mais poder de decisão e escolhas.

Outro destaque é arelação do trabalho feminino no contexto rural. A pesquisa demonstra que a convivência com muitas horas de trabalho diário faz parte da história de vida das entrevistadas. Este trabalho é exaustivo, começa na tenra idade e se consolida na vida adulta quando assumem o papel de “dona de casa”, tal estrutura é passadaculturalmente de geração à geração, reproduzindo um ciclo de vida que consolida papéis de gênero e representações sociais em torno do comportamento de homens e mulheres em assentamentos rurais.

A pesquisa conta com a parceria do Projeto Opará: águas do rio São Francisco, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental e Governo Federal.

Uma das atividades do projeto é elaborar e executar atividades de educação, empoderamento, autonomia e inserção nos meios produtivos locais com a sociedade do baixo São Francisco sergipano e alagoano, com ênfase para jovens e equidade de gênero.

 

 

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