Opará participa de mobilização em defesa das sementes crioulas

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ago

Opará participa de mobilização em defesa das sementes crioulas

Fotos das sementes /Divulgação/MPA

A preservação das sementes crioulas como ferramenta de luta e resistência do campesinato no alto sertão sergipano foi o tema central de discussões da campanha “Cada Família Adota um Semente”, lançada no dia 30 de agosto pelo Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), no Teatro Raízes Nordestinas, em Poço Redondo.

O evento discutiu os desafios da produção orgânica camponesa como ferramenta de resistência e luta dos povos camponeses pela soberania política, alimentar, energética e tecnológica para as atuais e futuras gerações a partir da campanha internacional “Sementes Crioulas: Patrimônio dos Povos a Serviço da Humanidade”. O lançamento estadual contou com a presença dos camponeses de outros países, representando a Via Campesina Internacional de cinco continentes. Uma das ações é a organização de casas de sementes.

O projeto Opará: águas do rio São Francisco marcou presença no evento que contou ainda com a realização da III Feira Camponesa Cultural, com organização de debates importantes com a sociedade a respeito da conjuntura do país, o papel do Campesinato, a questão da agroecologia, os agrotóxicos.

Estudante participa de feira

Durante a manhã, a feira reuniu estudantes de escolas locais que participaram de oficinas com práticas agroecológicas com produção de mudas, sementes, feno, defensivos, ervas medicinais. Também houve apresentação de teatro e dança protagonizada por jovens atores do Grupo Teatral Raízes Nordestinas que encenaram a  peça “O Segredo de Poço Redondo”.

Atores do grupo teatral Raízes Nordestinas encenam a peça “O Segredo de Poço Redondo”

No período da tarde, foi realizada uma mesa redonda com a discussão de temas como o plano camponês, convivência com o semiárido e a lei de sementes e agroecologia. Durante à noite, houve apresentação da escola popular de música “Recanto Musical do Sertão”, teatro e poesia com artistas locais.

De acordo com a coordenadora estadual do MPA, Elielma Barroso, o objetivo do evento foi promover um debate para o fortalecimento da produção camponesa da região e possibilitar intercâmbio com camponeses representantes da Via Campesina Internacional de quatro Continentes, que participaram da atividade.

“Com estes dois eventos a gente quer fortalecer a agricultura camponesa e agroecológica organizando o campesinato para que se apodere deste debate e fazer da semente crioula uma ferramenta de resistência de preservação do nosso território e da nossa cultura. Com a feira, fortalecemos a nossa base dando visibilidade a nossa produção de alimentos saudáveis e a importância da produção agroecológica do campesinato para o campo e a cidade”, destaca Elielma.

Para o coordenador de educação ambiental do projeto Opará, Frankilin Modesto, o evento foi importante ao mobilizar comunidades rurais de todo o estado para o fortalecimento e resistência da luta camponesa no que diz respeito a conservação das sementes tradicionais. “O projeto Opará incentiva e apóia ações sustentáveis e este momento é fundamental para fortalecer a discussão da preservação das sementes crioulas, pois muitas estão sendo dizimadas e com mobilizações como estas é possível garantir a preservação das espécies para as novas gerações. Também foi uma oportunidade para conhecer e trocar experiências agroecológicas em um evento que agrega várias comunidades em torno do conhecimento popular e científico”, observa.

Feira teve como destaque a produção de alimentos orgânicos do MPA

Entre as principais pautas da campanha, está o enfrentamento ao modelo patriarcal e capitalista que criminaliza e reprime as organizações populares; ao agronegócio que promove os monocultivos e a destruição ambiental com grandes impactos sociais, ambientais, econômicos, políticos e culturais; todas as formas de apropriação privada da vida como a monopolização de sementes, a biopirataria, a contaminação ambiental e a privatização dos recursos naturais; modificação por engenharia genética em plantas, animais e microorganismos com a finalidade alimentar e de produção de matéria prima; contra a liberação comercial de qualquer variedade de milho transgênico por representar uma ameaça à biodiversidade mantida pelos povos e à autonomia na escolha das sementes para cultivo sem contaminação, impedindo práticas e inovações milenares; o uso de produtos agroquímicos sintéticos como agrotóxicos, fertilizantes, hormônios, entre outros, por apresentam efeitos adversos e irreversíveis à saúde humana, aos animais e ao meio ambiente.

A campanha defende uma ação coletiva através de um intercâmbio cultural dos diversos povos do Brasil, América Latina e de outros continentes para a concretização de um novo projeto de vida e de sociedade com políticas públicas que contemplem e respeitem a realidade de cada povo; a articulação e fortalecimento a luta das diversas organizações a nível mundial que buscam a efetivação dos direitos dos povos; um projeto de agricultura pautado na soberania alimentar, na biodiversidade e na defesa e garantia dos direitos dos povos; a produção de alimentos com base na utilização de princípios e processos agroecológicos e a livre troca de sementes, conhecimentos, saberes e iniciativas dos povos, que representam formas concretas de resistência.

Fonte: com informações da campanha internacional “Sementes Crioulas: Patrimônio dos Povos a Serviço da Humanidade”

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