Seminário é encerrado com apresentação de experiências socioambientais

27
jul

Seminário é encerrado com apresentação de experiências socioambientais

O III Seminário de Recuperação Hidroambiental, realizado na Universidade Federal de Sergipe (UFS) pelo projeto Opará: águas do rio São Francisco, encerrou as atividades no dia 25 de julho com um ciclo de palestras de experiências socioambientais sobre cânions do rio São Francisco, trilhas ecológicas e boas práticas de água, floresta e clima.

Nos dois dias de evento, o seminário reuniu mais de 200 participantes, entre professores, alunos e servidores da UFS e Instituto Federal de Sergipe, que na oportunidade trocaram experiências durante as palestras, minicursos e lançamento do livro Lugares, Potencialidades e Resistências: Terra e Povo no São Francisco que ocorreu na manhã no dia 24 de julho.

No segundo dia de realização, o seminário contou com um ciclo de palestras no auditório da ADUFS, começando com o Projeto Dois cânions um só coração: Poti e São Francisco, com o engenheiro florestal Thiago Roberto Soares Vieira, doutorando do PRODEMA/UFS e membro do Instituto Pangea-IPAN.

Palestra sobre cânions dos rios Poti e São Francisco

Os participantes puderam conhecer os resultados do projeto que promove ações de sensibilização ambiental sobre os impactos dos cânions do bioma da caatinga, do rio Poti, entre o Ceará e Piaui, e o cânion do rio São Francisco, entre Alagoas, Sergipe e Bahia, trabalhando conjunturas, impactos e perspectivas.

Thiago ressaltou a importância do seminário como um espaço de visibilidade de experiências e vivências que estão sendo realizadas em estados diferentes aproximando as práticas dos projetos com a comunidade acadêmica. “Com este evento, o Opará oportuniza a difusão de ações como o reflorestamento da caatinga no Ceará, Sergipe e Alagoas para uma maior sensibilização dentro da universidade, com o debate destas temáticas com a comunidade acadêmica a partir das práticas socioambientais”, destaca Thiago.

Sinalização de trilhas ecológicas

Durante o evento, os participantes também conheceram as ações do projeto do Rio de Janeiro Trilhas Transcariocas. A ação é responsável pela sinalização de trilha autoguiada e sinalizada por um percurso de 180 km que liga as zonas Oeste e Leste na cidade carioca. “Foi bom vim aqui e mostrar que existem alternativas sustentáveis possíveis como a experiência das trilhas sinalizadas que contam com o engajamento de gestores e da população por uma nova forma de preservação da natureza com destacada atuação de voluntários pela causa ambiental”, afirma.

Ainda na manhã de quarta-feira aconteceu a palestra “Histórico da Recuperação de Mata Ciliar no Baixo São Francisco”, com o professor da UFS, Robério Anastácio Ferreira, que apresentou as principais ações de pesquisas acadêmicas de conservação e preservação da mata ciliar desde 2002 no semiárido sergipano.

Boas Práticas de Água, Floresta e Clima

Daniel Fernandes, Maria do Carmo e Antenor Aguiar

No período da tarde, o ciclo de palestras foi encerrado com o tema Boas Práticas de Água, Floresta e Clima, com a professora Maria do Carmo Vieira, Coordenadora do Projeto Renascendo; o professor da UFS, Antenor de Oliveira Aguiar Netto e Daniel Fernandes, coordenador do Projeto Clima da Caatinga.

Os trabalhos foram abertos pelo professor da UFS e coordenador geral do projeto Opará, Antenor Aguiar, que agradeceu a participação dos palestrantes e do público no evento e falou da alegria de unir em um mesmo evento três ações do Programa Petrobras Socioambiental. “Aqui estão as mesmas idéias de preservar, de cuidar de rios, de cuidar de matas e principalmente de cuidar de pessoas. Tenho muita alegria de Maria do Carmo Vieira, do projeto Renascendo, e Daniel Fernandes, do No Clima da Caatinga, terem aceitado o convite porque estes projetos têm em comum conosco do Opará a caatinga, essa maravilhosa mata que é um exemplo de resiliência de uma vegetação exclusivamente brasileira que nos une, nos fortalece e congrega a fazer atividades em conjunto“, destacou.

Maria do Carmo apresenta ações do Rensacendo

A coordenadora do Projeto Renascendo, Maria do Carmo, apresentou as iniciativas do Instituto Palmas  com comunidades rurais do sertão de Alagoas para a proteção hídrica das nascentes e recuperação de áreas degradadas da caatinga com o envolvimento da população a partir de ações de educação ambiental e empoderamento da população local, que participa de todo o processo desde a identificação das áreas até a intervenção direta de sensibilizações e recuperação dos espaços ambientais para a disseminação de conhecimentos e práticas na melhoria da convivência com o semiárido.

O Projeto Renascendo tem o patrocínio da Petrobras, com apoio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Alagoas (SEMARH), Colegiado Territorial do Alto Sertão de Alagoas, além da parceria das prefeituras municipais de Água Branca, Mata Grande, Canapi, Inhapi, Pariconha e Tacaratu.

“Nossas ações visam recuperar e monitorar nascentes, reflorestar matas ciliares, implantar barragens e instalar sistemas de irrigação para ampliar o acesso à água no sertão. Também temos ações de educação ambiental com realização de seminários de sensibilização com as comunidades rurais e a disseminação de práticas sustentáveis através da Rede Renascendo com fórum de debates que integra ações conjuntas com projetos pedagógicos nas escolas nas comunidades com temáticas que visam a disseminação de conhecimentos e práticas na melhoria da convivência com o semiárido”, explica Maria do Carmo.

Maria do Carmo destacou que as ações do Renascendo dialogam com as iniciativas dos projetos Opará e No Clima da Caatinga preservando o meio ambiente na região semiárida de Alagoas, Sergipe e Ceará

“Estamos caminhando junto e contribuindo para o fortalecimento e ampliação de práticas socioambientais sustentáveis com experiências de um trabalho em conjunto que se fortalece com a presença do Projeto Opará agora em Pão de Açúcar em Alagoas”, enfatizou.

Daniel Fernandes fala sobre ações do No Clima da Caatinga

O coordenador do No Clima da Caatinga, Daniel Fernandes, apresentou a experiência do projeto que está no terceiro ciclo do Programa Petrobras Socioambiental, além das ações da Reserva Natural Serra das Almas, e dos projetos Segurança Hídrica e o Tatu-Bola, desenvolvidos pela Associação Caatinga, criada em Fortaleza em outubro de 1998, com o apoio do Fundo para Conservação da Caatinga.

“No Clima da Caatinga é executado desde 2011 através do Programa Petrobras Socioambiental atua em Fortaleza, em Cabriuns, Potins dos Montes, na cidade do Piaui, com um trabalho em rede que potencializa a mobilização de pessoas e instituições interessadas na conservação da biodiversidade da Caatinga. Todas essas ações contribuem para atingir o objetivo de preservar a vegetação, a fauna e a flora da Caatinga promovidas pela Associação Caatinga, um centro de referência para a conservação deste importante bioma através da difusão de experiências exitosas”, salientou.

Daniel destacou que todas as ações estão localizadas em uma região semiárida mais populosa do planeta, com uma pressão muito forte de exploração dos recursos naturais. “São mais pessoas utilizando água, vegetação. Assim como o rio São Francisco, a caatinga tem sofrido com implicações ambientais com a maior densidade populacional no semiarido brasileiro. Outra questão é estereótipo em relação à caatinga, que muitas vezes é associada a uma imagem de área degradada, com cenário árido, sem vida. Entretanto, é um bioma com uma rica biodiversidade e é isso o que o projeto busca valorizar. O que pese a biodiversidade, a caatinga é paradoxalmente um dos biomas menos estudados, apesar da sua rica diversidade de fauna e flora se comparado a outras regiões semiáridas. Por isso a importância de eventos como esses para a gente debater e colocar a pesquisa do bioma da caatinga no devido lugar de protagonismo”, comentou.

Outras iniciativas foram apresentadas como o uso de tecnologias Fogão Ecoeficiente, Cisterna de Placas, o “Carnaúba Sustentável: Conservação, educação e tecnologias sustentáveis” e o Projeto Tatu-Bola

“Buscamos com estas ações a preservação da vegetação da Caatinga, a intervenção na cadeia produtiva da extração da Carnaúba de forma sustentável em Crateús e região e a conservação de espécies. A idéia é contribuir para a mitigação de efeitos potencializadores do aquecimento global, combater a degradação e desertificação, adaptação climática das comunidades envolvidas, a proteção de recursos hídricos e a preservação das florestas por meio do modelo integrado de conservação da caatinga”, explica

Participantes

Seminário teve mais de 200 inscritos

Os dois dias do evento contaram com mais de 200 inscritos. A estudante Jéssica Amanda Dantas, do 7º período do curso de Ecologia da UFS, foi das participantes. “As palestras e minicursos tiveram temas diversificados e pouco discutidos na universidade como a conservação da caatinga e do rio São Francisco”, observou

Juliana Felipe, aluna de Engenharia Florestal da UFS , disse que o seminário foi interessante ao apresentar ações ambientais de estados diferentes. “Foi uma troca de experiências enriquecedoras como a do Rio de Janeiro que adota as trilhas ecológicas para conservar o meio ambiente, além da  preservação da caatinga aqui no nordeste, as discussões sobre o acesso à água na região semiárida e os estudos de hidrometria”.

Para a aluna do curso de Engenharia Florestal Cristiane Monteiro, a experiência mais interessante foi o minicurso Cadeia Produtiva do Umbu, que ocorreu na tarde do primeiro dia do seminário pela professora do Campus Sertão, Anny Kelly Vasconcelos de Oliveira. “A atividade foi muito importante do ponto de vista das potencialidades da região semiárida e também por dar visibilidade a pesquisa sobre o aproveitamento do Umbu, além de ser uma oportunidade para conhecermos as ações da UFS do Campus do Sertão”, avaliou.

Para o servidor da UFS,  Joseilto Nery Rocha, o seminário foi um importante momento de intercâmbio e interação de saberes com a presença de experiências socioambientais com realidades regionais distintas. Ele destacou também o lançamento do livro Lugares, Potencialidades e Resistências: Terra e Povo no São Francisco, organizado pelos professores da UFS e coordenadores do projeto Opará, Patrícia Rosalba e Antenor Aguiar.

Joseilto Nery Rocha destacou a troca de experiência

“O livro tem uma proposta interessante de promover uma interação entre tradição e ciência, tendo o rio São Francisco como foco, envolvendo eminentes pesquisadores e comunidades locais. Já as palestras e minicursos promoveram a difusão de um grande conhecimento sobre o melhor aproveitamento de recursos naturais e a importância da preservação das nascentes e da mata ciliar para a preservação do rio São Francisco”, apontou.

Durante o evento, os participantes receberam livros, canecas, caderno, chaveiro, bolsas, canetas e bonés produzidos pelo projeto. O seminário foi encerrado com o Café Nordestino águas do São Francisco. A atividade integra as práticas de sustentabilidade promovidas pelo projeto Opará, que atua na recuperação de áreas degradadas da Caatinga com atividades de restauração florestal, educação ambiental, monitoramento hídrico e pesquisas na região semiárida nos estados de Sergipe e Alagoas, na bacia hidrográfica do rio São Francisco, Jacaré e riacho Mato da Onça. O projeto Opará: águas do rio São Francisco é realizado pela Sociedade Socioambiental do Baixo São Francisco Canoa de Tolda em parceria com a UFS.

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